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A cantora Day, uma mulher branca dos cabelos pretos, aparece sentada em um sofá cinza com desenhos rosas, sorrindo para a câmera
Day relata frustrações da geração e aposta no pop-punk em seu primeiro álbum, “Bem-Vindo Ao Clube”
Música

Publicado porLuisa Pereira

em 03/08/2021

Revivendo as sonoridades mais populares dos anos 2000, Day traz ao mundo seu primeiro álbum de estúdio, Bem-vindo Ao Clube, com 12 faixas, onde retrata as frustrações da adolescência e conta uma história com começo, meio e fim. Em todas as canções, a artista aponta temáticas vividas por ela antes e depois de se assumir LGBTQIA +, além de sentimentos que transbordaram na pandemia e em outros momentos de sua vida.

Bem-vindo Ao Clube chega após os EPs Day (2018), onde se destacou no pop nacional, e A Culpa É Do Meu Signo (2020), quando começou a cravar seu espaço no movimento emo pop punk brasileiro, com influências que iam de Blink-182, Boys Like Girls, Pitty e Simple Plan a Taylor Swift. A “nova cara” de Day custou em sua popularidade nas plataformas digitais, que apresentaram queda. A mudança, no entanto, a colocou em um nicho com ouvintes mais constantes e preparou terreno para a chegada de seu primeiro disco.

Com produção do trio Los Brasileiros - Dan Valbusa, Pedro Dash (ex-integrantes da banda Cine) e Marcelinho Ferraz -, responsáveis também por trabalhos com Jão e Vitão, Day aponta suas referências no pop, pop punk, punk rock, emocore, trap e rap, definindo-o como “pop emo”. Para reivindicar ainda mais esse espaço, a artista traz Lucas Silveira, da Fresno, em Isso Não É Amor. Bem-vindo Ao Clube também conta com composições de Day, Carol Biazin, Vitão, Tiê Castro, Lucas Silveira e Los Brasileiros. 

Para o lançamento, a cantora apostou na movimentação nas redes sociais com participação de diversos artistas brasileiros, sejam da cena emo, como o ex-integrante da banda Restart, PeLu, ou de outros estilos, como Vitão e Luisa Sonza, com a hashtag “Emo is not dead”. A estética adotada lembra, ainda, a usada no momento de auge do pop punk, com a maior influência em The Best Damn Thing, da Avril Lavigne, resgatada e usada também por Machine Gun Kelly, em Tickets to my Downfall.

“O álbum é tudo o que eu precisava botar para fora, basicamente. Gosto de me expressar dessa forma para poder inspirar outras pessoas a se expressarem também”, relata a cantora em material enviado à imprensa.

Bem-Vindo Ao Clube mostra a versatilidade e profundidade de Day

A jornada de Bem-Vindo Ao Clube começa com Prefácio, uma breve introdução com 40 segundos do que será o álbum. Em seguida, Clubes Dos Sonhos Frustrados é a música mais pop do disco, onde Day convida o público para embarcar na jornada de seu trabalho e entrar no “clube dos sonhadores frustrados, enganados, por si mesmo sabotados”.

Day narra em Fugitivos, sua faixa favorita, um amor impossível, que deve ser às escondidas. Com riffs que aumentam e diminuem a intensidade da canção, o ritmo diminui ao final, com a deixa para o início de Inevitável. Mais calma, a faixa segue a linha da anterior, com o eu-lírico apaixonado e buscando formas para que a pessoa amada fique. Aqui, Day cita Bonnie & Clyde e Julieta e Romeu para definir o romance. “Porque cê não passa a noite. Se não ficar, só não some. Seja como eu imaginei. Me surpreende mais uma vez”. 

Em Inconsequente, há o retorno da temática de Prefácio, com Day refletindo sobre si mesma, seu futuro e como isso influencia no relacionamento. Uma das mais emotivas do álbum, Dilúvio chega com um violão calmo e com a voz tranquila da cantora. “E eu não quero ficar mais nenhum segundo só, do jeito que eu tô minha garganta dá um nó”.

Mais solar que o anterior, Não Gosto de Mim, tem instrumentos mais marcados ao longo das pausas e frases mais espaçadas. Nela, Day retrata sobre não gostar de suas ações quando está com a pessoa apontada. A faixa, que foi single, já possui clipe.

Única parceria do disco, Isso Não É Amor, em conjunto com Lucas Silveira, também produtor da faixa, é a assinatura emo que poderia faltar. As vozes em alternância e sincronizadas trazem harmonia para a canção. “Quero te dizer que eu nunca mais vou olhar na tua cara sem lembrar das coisas que cê disse ontem com a cabeça quente. A gente precisa de um tempo para pensar”. 

Finais Mentem, uma das mais bonitas do disco, reforça que, às vezes, mesmo que preciso, finais podem não ser, realmente, finais. Ao mesmo tempo que apresenta essa felicidade de finalmente deixar a história para trás, lembra também que, num futuro, podem ser felizes juntos, em outro momento. Já Efeito Colateral parece uma continuação da anterior. “Efeito colateral de algo tão visceral que a gente viveu, coisa de gente louca e a gente se perdeu”. 

A penúltima música do álbum, Não Me Encontre fecha o ciclo da história proposta por Day, que avisou de antemão sobre o começo, meio e final de Bem-Vindo Ao Clube. Nesta canção, ela reconhece que foi longe demais, deixando de se priorizar, por conta de um amor. “Não vou te levar para onde eu vou. Se me perguntar, nem sei onde eu tô. E se finalmente eu me encontrar, não me encontre”. 

Para fechar de vez o Bem-Vindo Ao Clube, a faixa Epílogo: A Maldição Da Expectativa aponta para um futuro e mostra ainda mais fragilidades, medos e inseguranças, aliadas à franqueza com que são retratadas. O álbum é encerrado com as badaladas de um relógio, trazendo o vazio da reflexão aos ouvintes.

Day consegue entregar seus sentimentos, angústias e emoções da adolescência e início da vida adulta de forma brilhante, harmoniosa e de modo que suas referências e gostos fiquem estampados para todo o público. Bem-Vindo Ao Clube é, para os mais nostálgicos com o estilo musical, mais uma prova de que o gênero voltou. 

Destaques: Fugitivos, Dilúvio, Isso Não É Amor, Finais Mentem, Não Me Encontre

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