O Elevador lança Nada para num Instante: “mais maduro tecnicamente”

2020 foi marcado por uma enxurrada de acontecimentos e novidades. O que em janeiro eram planos, em março viraram dúvidas. O mesmo aconteceu com a banda O Elevador, formada por Thiago de Paula (guitarra), Alexandre Schafaschek (bateria), Gustavo Barbosa (voz e guitarra) e Thalison Moschetta (baixo), que se preparavam para lançar o terceiro álbum, após os discos A Fuga do Albatroz no Mundo das Máquinas Loucas (2017) e Fantasia (2018).

Quando os planos pareciam distantes após o avanço da Covid-19, o grupo foi contemplado no edital de emergência da Fundação Cultural de Itajaí - Lei Aldir Blanc. Em meio ao isolamento e a distância entre os integrantes, o disco Nada Para Num Instante nasceu.

O retorno d’O Elevador é marcado por uma fase mais madura tecnicamente e pessoal, com letras mais íntimas, com reflexões cotidianas que se intensificaram durante esse período, como apegos e separações, medos e projeções. “Apesar de não falarmos diretamente da pandemia, não deixamos de ser justos ao que realmente passamos, ao que sentimos e em que lugar estamos, e não deixamos de refletir medos, inseguranças, decepções, bem como, alegrias, afetos e motivações”, comenta Thiago em material enviado à imprensa.

Ao todo, são sete faixas: Nada Para Num Instante, No Espaço em Vão, Mar de Solidão, Submarino, Quadrados, Nebulas e Sua Ilha. “Esse álbum tá pura saudade pra mim, faz pensar sobre aquilo que a gente poderia ter vivido nesse tempo mas que nos foi usurpado, não só em relação à banda mas a tudo mesmo”, aponta Alexandre.

Leia a entrevista do Lindie com a banda:

Lindie: Como a banda surgiu?

Thiago: A banda surgiu em Itajaí (SC) quando todos nós estávamos na mesma faculdade, em 2015 e começamos a tocar. Em 2016 entrou o Alexandre, o pacote, na bateria e foi formada a banda. Eu o Gustavo, vocalista e guitarrista, somos do interior do Mato Grosso e viemos para Santa Catarina.

Lindie: Como vocês definem o som da banda?

Thalison: Psicodélico e original.

Thiago: Acho que o psicodélico surge em uma explosão de bandas que usavam novas formas de produzir, gravar, explorar os timbres e surgiu essa onda. No mais, acredito que se enquadre no gênero indie.

Thalison: No início do primeiro álbum a gente usava mais nossas influências na manga, na cara, sabe? Esse terceiro é o mais original que a gente conseguiu. Ainda temos as referências, é possível sentir, mas é o mais original entre os três.

Lindie: Como foi a concepção e produção do álbum?

Thiago: Começou há mais ou menos um ano. Nós costumávamos gravar em casa, acabamos perdendo o espaço e alugamos outro. Nesse tempo veio a pandemia,cada um foi para um canto e eu fiquei morando nesse lugar, era de umas amigas também. Nisso eu comecei a produzir as primeiras estruturas, os primeiros arranjos e foi passando o tempo. No final do ano, nós fomos contemplados na Lei Aldir Blanc, que é uma lei emergencial para artistas que, de certa forma, foram prejudicados pela pandemia. Ela estipulou prazos para que a gente lançasse o álbum e em janeiro a gente começou a se reunir para gravar. Muitas linhas que já haviam sido gravadas foram reaproveitadas, mas foi aí que nós, como banda, nos juntamos e fizemos o que precisava, baixo, voz, entre outros.

Lindie: Como foi o processo de gravar e finalizar esse álbum em dois meses?

Thalison: Foi pegado, não estávamos acostumados com prazos. Foi bom, também. Nos outros dois, não colocamos prazo e ficamos pra sempre trabalhando no negócio. Foi meio pegado, precisamos nos isolar, íamos gravar só uma vez no dia e voltávamos, foi meio corrido. Tivemos uma prorrogação apenas por causa de um imprevisto.

Thiago: Foi extremamente corrido desde o dia que paramos para gravar até o momento em que entregamos para a distribuidora, não teve um dia de descanso.

Lindie:  Na banda, todos participam das composições?

Thiago: Cada álbum foi um álbum. No primeiro, gravamos ao vivo e era com músicas que nós já tocávamos há anos. O Fantasia nós tivemos mais momentos para pensar as músicas juntos e esse eu criei mais as primeiras bases e depois nós nos juntamos. São processos, cada um se complementa.

Thalison: O primeiro nós fizemos mais juntos. Eram músicas que o Thiago e o Gustavo já tinham de oito anos ou mais e quando eles trouxeram virou Máquina Louca. O Fantasia foi feito mais em casa e esse começou antes da pandemia, mas quando ela começou, ninguém sabia o que estava acontecendo, então ficou mais na mão do Thiago e depois a gente se juntou. Mas, como o Thiago disse, cada álbum foi um processo, não dá pra dizer que temos um método, depende dos momentos.

Lindie: Qual a faixa preferida de vocês?

Thalison: A minha favorita é a Nebulas. Foi uma das últimas que saiu.

Thiago: Essa é uma das minhas favoritas também. Eu gosto bastante de Mar de Solidão, que é mais minimalista.

Lindie: Quais diferenças vocês destacam entre Nada para num instante e os discos anteriores?

Thiago: Ele é mais maduro em termos técnicos. Do primeiro para o segundo tem diferença porque um é só vivo e o outro é gravado em estúdio, (respectivamente). O segundo também tem diferença nas estruturas das músicas, que não se repetem muito. Acho que a principal diferença deste para os demais está mais no aprimoramento técnico de mixagem e gravação mesmo, além de uma maturidade das letras, que estão mais na diretas e pessoais.

Thalison: Elas estão mais passíveis de identificação. O primeiro é muito abstrato. 

Thiago: O segundo é meio que os dois. Esse é mais pessoal.

Thalison: Acho que as pessoas vão conseguir mais ouvir e se identificar, tirar mais da letra.

Lindie: Quais as expectativas de vocês para o lançamento do disco?

Thiago: Já foi muito massa ter sido contemplado no edital e possibilitar a gente investir em algumas coisas. O single foi muito bem, entrou em algumas boas playlists. Antes mesmo de lançar, eu já acho que ele foi legal para a forma como estávamos no momento. Sem lançar nada há um tempo, os ouvintes já estavam diminuindo... então ele já superou minhas expectativas. Agora com o lançamento começa um trabalho de pós para promover o material.

Thalison: Sempre que lança um álbum ele meio que vem sentando no sucesso do anterior. O primeiro foi uma coisa. O Fantasia foi melhor e, mesmo que eu não saiba muito bem o que esperar, acho que esse vai ser ainda melhor. Vai ser um dos projetos que mais vai alcançar pessoas, só o single já chegou a mais gente do que os outros dois álbuns juntos.

Lindie: Há novos projetos ou planos para a banda ainda em 2021?

Thiago: A ideia é que no próximo mês tenha o lançamento de faixas bônus do próprio álbum como singles e pensar um próximo álbum já lançando singles até concluir o projeto. Em termos de clipe, estamos planejando, é um sonho que a gente sempre tem, não tem data, nem nada, mas é um plano.

Thalison: Tem apenas um esboço do que estamos pensando em fazer, mas acredito que é um ou dois clipes que estamos fazer. Com pouca gente, também, não dá pra juntar muita gente. Conversamos sobre quais músicas ficariam legais e chegamos ao nome de duas. Está em conversa, precisamos nos juntar e, assim que a levantada do álbum começar a passar, vamos fazer.

Ouça Nada para num Instante:

Sobre o autor

Luisa Pereira

Jornalista, escritora, editora-chefe e criadora do Lindie. Apaixonada por palavras, sempre estive acompanhada de um bloquinho de anotações. Espero um dia conseguir tocar as pessoas do mesmo modo que a Agatha Christie e o Tom Fletcher fazem com suas obras.

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