Duo Avenoar se permite explorar o novo em single e prepara primeiro álbum

Salut, je t’attends depuis un moment et rien….

J’ai vu que t’as pris tes affaires… J’imagine que tu es partie sans me prévenir…. (rigole).

Préviens-moi la prochaine fois, je t’attends.

(Tradução)

Oi, to te esperando faz um tempinho e nada...

Eu vi aqui que você levou a sua mala...eu acho que você foi pra algum lugar e não me falou... (rindo levemente sem graça)

Me avisa, tá? Tô te esperando…”

É desta forma inusitada que o novo single ‘Onde Você Costumava Estar’, do duo Avenoar começa a soar nos ouvidos do público. Ideia de Denis Salgado, produtor da faixa, os áudios em francês no início e decorrer da canção conseguem ambientar o ouvinte em uma história única.

Terceira faixa já revelada do primeiro álbum dos artistas, ela complementa a sonoridade das anteriores Velhos Ventos e Contramão em um indie-pop, ambientadas na temática do tempo, seja direta ou indiretamente, cada uma à sua maneira. Além da parte sonora, as três canções se encontram em um momento introspectivo dos narradores.

Idealizadas ao longo da pandemia por Carol Fincatti e Gabriel Dellilo, as canções se completam apesar de distintas entre si, como a presença do grupo de rap Dagruta em Velhos Ventos, que fala do tempo de forma mais direta. “A canção fala sobre olhar para um passado que a gente não quer mais enxergar”, conta Carol.

Em Onde Você Costumava Estar, o duo fala sobre olhar para uma situação que você nunca se encaixou e perceber uma renovação, sem esquecer as mudanças que foram necessárias para essa transformação. Contramão, por outro lado, é a faixa que marca o caminho de Carol e Gabriel até as aberturas, novas influências e, de fato, ao se permitir na música. “Ela fala do tempo em relação a gente, o tempo em relação aos nossos relacionamentos, ao observar, ao envelhecer", explica Gabriel.

Assim como nos três singles já lançados, o disco terá a temática centrada no tempo. Dentro desta esfera, a dupla buscou tratar sobre relacionamentos, em relação ao outro, à sociedade e ao envelhecimento. Apesar das primeiras canções lançadas apontarem para uma parte mais introspectiva e reflexiva, os artistas prometem faixas mais solares, com um pop mais energético, no projeto.

Duo Avenoar apresenta seu conceito e projeta primeiro álbum

Lindie: Qual a história do duo Avenoar?

Carol: Fomos convidados para participar de um projeto, em 2016. O musical já era uma ideia de fazer um som autoral e tudo. E aí, em maio de 16, nos encontramos em um estúdio para a produção desse projeto, só que as coisas foram acontecendo, eu e o Gabriel fomos compondo juntos e acabamos dispersando um pouco daquela ideia inicial para a qual fomos chamados. Então a gente acabou juntando as nossas ideias e fundando, assim, o Avenoar. 

Lindie: Como vocês atuam na composição em conjunto para o duo?

Gabriel: Inicialmente, quando a gente começou a compor assim, vimos que nos complementávamos de uma forma muito legal. A Carol sempre foi muito rica em trazer melodias e eu sempre gostei muito de escrever. Fazíamos muitos arranjos junto com a letra, enquanto eu escrevia, a Carol ia colocando melodia e tudo mais. E hoje eu vejo que, com o passar do tempo, a gente foi pegando coisas um do outro, foi aprendendo um com o outro para atuar nessas frentes das composições. Então, a gente entende muito bem. Hoje em dia, acho que essa sinergia, essa relação que nós temos, já vamos entendendo quando alguém vem com uma ideia inicial, assim, a gente sempre completa a ideia um do outro.

Carol: É, e a gente tem muitas referências parecidas, também, em termos de composição mesmo, e de artistas que a gente gosta em comum. Então, a gente acaba somando essas ideias. E é claro que sempre um traz alguma coisa diferente que o outro não conhecia, isso eu acho muito especial. Estamos sempre trocando essa ideia e indicando bandas novas um pro outro e agora a gente tem feito até alguns feets e possíveis parcerias futuras também. Então a gente acaba fazendo os contatos e trazendo internamente para o nosso convívio, para a nossa realidade de projeto, de Avenoar, de banda. Sempre acabamos somando as ideias e a gente acaba pensando muito parecido, então, flui muito naturalmente mesmo.

Lindie: Como vocês pensaram em inserir um trecho em francês em Onde Você Costumava Estar?

Carol: Realmente foi uma surpresa quando nós recebemos esse retorno do produtor. A gente mandou a guia e nessa época era quase um blues mais acústico. Ele retornou com essa ideia, disse que a música automaticamente o transportou para um lugar mais antigo, uma coisa na França. Os produtores já mandaram com o áudio em francês para ouvirmos e vermos o que achávamos, porque nós poderíamos, simplesmente, não pirar na ideia e tudo mais. E, realmente, foi uma surpresa, porque nós nunca tínhamos imaginado a música indo pra este lado, mas eu acho que foi muito especial ver como ele recebeu a canção, porque atingimos as pessoas de formas diferentes com a nossa música, então cada pessoa recebe a música de um jeito. Quando ele retornou já no francês, foi muito especial para nós falarmos, ‘poxa, eu acho que a música tem como atingir outros lados que a gente não estava imaginando’. No começo confesso que eu fiquei com receio da galera achar muito diferente, mas conversando internamente, não, a música parece que precisava disso. Então isso foi muito natural. 

Gabriel: Eu e a Carol, temos uma tendência muito legal, que sempre que contamos com outros artistas parceiros, seja para a concepção dos nossos clipes, elaboração para produção das nossas faixas, concepção de capa, de logo, tudo, gostamos muito que quem trabalha com a gente também contribua artisticamente e se sinta livre pra fazer essa contribuição. Então, essa ideia, realmente foi como a Carol descreveu. Na época, ele mandou um áudio só para entendermos como seria, e fomos entrando na onda. Criamos as falas, a historinha ali, o que seria dito nesse áudio. Lembro que eu fiz a guia em português, atuando ali mesmo, como uma pessoa telefonando. Escrito texto, pedimos para o Diogo, que é fluente em francês, e ele fez esses dois trechos lindamente. Então, nossa, na hora que ele mandou finalizado e encaixamos na música, falamos ‘pô, era isso mesmo que tava faltando’. Às vezes, a música pede coisas e nós vamos tateando até entender o que que a música tá querendo. 

Carol: Exato, então a gente contou com várias pessoas para nos auxiliar nesse processo do francês. Então, esse Diogo, que é o amigo do Gabriel, ele também teve que dar uma atuada ali para mandar os áudios. Quando a gente recebeu, ficou perfeito. Colocamos também no lyric vídeo para as pessoas entenderem a tradução. Então, ficou bem legal. 

Lindie: O álbum terá a temática do tempo, seja ele de forma direta ou subjetiva. Como vocês idealizaram esse conceito para o disco?

Carol: Nossa, isso foi muito tranquilo pra gente e sem querer. Na verdade, o Gabriel parou uma hora, olhou e falou, ‘olha, eu acho que todas as músicas tão falando sobre esse mesmo tema. Que que cê acha?’ e a gente começou a olhar para as músicas dessa forma mais conceitual em relação ao tempo. No ano passado, quando a pandemia começou, a gente tava com outros planos de shows e tudo. E aí, quando eu comecei a pandemia, a gente falou, ‘tá, o que a gente faz pra não ficar parado?’ e aí, surgiu a ideia da gente colocar em prática novas composições para formar o nosso primeiro álbum. Aproveitar, realmente, esse tempo, mesmo a distância, que é algo que a gente nunca tinha feito. Então, nós íamos mandando ideias e um combinado nosso foi deixar fluir naturalmente, assim, não pensar num conceito prévio, simplesmente mandando ideias, a gente ia escolhendo as faixas que mais se encaixavam para o que a gente queria e começamos a ir atrás dos produtores para começar a produção. Mas aí, depois que a gente já tinha a maior parte das músicas, a gente viu que cada uma estava falando do tempo de uma forma diferente. Então foi um processo de refletir no que já tínhamos feito.

Gabriel: Exato, a gente foi doido no sentido de pensar ‘não, a gente tem que ter um conceito, a gente tem que ter um conceito’, mas quando paramos para olhar as músicas que tínhamos, mais uma vez elas contaram pra gente qual era o conceito. Falamos ‘cara, tem tudo a ver com o tempo’. Uma das que mais trata disso diretamente é a Contramão, uma música que nós lançamos faz pouco tempo, e eu acho que ela abre as portas para tudo que a gente quer tratar nesse álbum, que é o tempo em relação a gente, o tempo em relação aos nossos relacionamentos, ao o observar, envelhecer, o tempo em relação à sociedade. Então, nossa, quando a gente viu, tava na nossa cara o tema. 

Carol: Fora a Contramão, tem a Velhos Ventos, que saiu junto com ela. A canção fala sobre olhar para um passado que a gente não quer mais enxergar, um passado triste que a gente vê algumas ideias surgindo nesse presente. Então, cada música fala desse tema de uma certa forma. Essa é a última música que a gente lançou, Onde Você Costuma Estar, tem um trecho que cita ‘não quero olhar pra trás e ver onde você costumava estar’. Então, sempre estamos olhando para essa relação de tempo, em várias formas, em várias situações. E também achamos legal porque tem a ver com o nome Avenoar, que a gente abrasileirou de uma palavra do francês, - dessas que só existem em algumas línguas e que traduzem alguns sentimentos , tipo saudade do português -, que basicamente é uma palavra que cita, assim, a vontade, o desejo de que as memórias pudessem fluir de trás pra frente. Então, tem super a ver com o tempo e a gente entrou nessa pilha de tempo. Eu acho que a pandemia surgiu muito pra gente entrar nessa questão.

Lindie: Como a pandemia influenciou na criação e produção deste álbum?

Gabriel: Eu acho que, com certeza, não haveria um álbum ou, se houvesse, ele seria completamente diferente A gente tava com outros planos. Quando a pandemia começou, o nosso plano era de fazer shows, de tocar um pouco mais o primeiro EP que tínhamos lançado. Quando isso começou a se instaurar a gente viu que iria durar, juntamos uma vontade que já tínhamos, que era de fazer novas músicas. Algumas que a gente já tinha começado a compor juntos. Falamos ‘cara, vamos fazer esse álbum, porque o momento é agora’. Aproveitamos que estávamos nesse período e, com certeza, todo esse momento atravessou essas composições. Tanto que esses novos lançamentos, neste primeiro momento do álbum, trazem uma energia muito introspectiva, porque faz parte do momento que a gente tem passado e ainda mais sendo brasileiro na pandemia, né? 

Carol: Exato, e eu acho que a pandemia deu o início a esse novo álbum, porque, realmente, a gente não estava olhando para produções naquele momento. O período fez a gente parar e refletir o que podíamos fazer pra não ficar parado nesse momento difícil. O mais difícil de acostumar foi a composição a distância, porque pra gente, como um duo, é comum e fácil se encontrar, compor, trocar ideias presencialmente. Mas, principalmente naquele momento inicial da pandemia, a gente ficou muitos meses sem se ver, só trocando as ideias online e acabou fluindo, assim, até mais naturalmente, do que eu iria imaginar, do que se a gente não tivesse nessa necessidade de fazer as coisas a distância. Mas, é, realmente, o álbum foi se construindo, a gente ainda está em processo de produção de outras músicas para finalizar o álbum. Tem muita coisa incrível vindo por aí. Essas faixas vão numa linha mais introspectiva mesmo e foi algo que a gente pensou ‘poxa, nesse momento tá tão complicado, tão difícil, tem coisas que a gente precisa lançar agora, principalmente a ‘Velhos Ventos’. Óbvio que no álbum vão ter músicas mais solares, digamos assim, mais pop, mas essa parte indie e pop-rock nós deixamos para o começo.

Lindie: Há datas para o lançamento dos próximos singles ou do álbum?

Carol: Temos data do próximo single. Nós não podemos falar o nome dele, mas ele já está prontíssimo e a gente tem previsão de lançar em julho. Então, já está muito próximo, a nossa ideia é manter uma frequência, realmente, até o lançamento do álbum, a gente não tem uma data pro álbum inteiro, porque a nossa ideia é lançar alguns singles ainda antes deste álbum ser finalizado. Mas, por enquanto, de data mesmo, a gente pode dizer do próximo single que vem em julho. 

Esse single ele já vem um pouquinho mais pro lado menos reflexivo e é um pouco mais romântico. 

Gabriel: Obviamente tem o conceito do tempo, mas ele fala do tempo das nossas relações. Então, não sei se romântico seria a palavra, mas tem a ver com o relacionamento, com esse atravessamento do tempo. É uma faixa que temos muito carinho e é um lançamento que a gente tá bem ansioso. Com certeza vem em julho. Já está tudo acertado pra gente lançar e conforme o tempo for passando, vamos mostrando outras novidades do álbum. Estamos muito, muito, muito ansiosos para lançar tudo, mas vamos indo aos poucos. 

Lindie: Quais as expectativas de vocês para o lançamento do disco?

Carol: Nesse momento de pandemia, é difícil a gente olhar muito pra frente, mas com Avenoar, sempre tentamos planejar a médio prazo, pelo menos, as coisas. Então já estamos olhando para quando for lançar o álbum, qual que é o objetivo e tudo. E eu acho que o objetivo inicial é atingir a maior quantidade de pessoas que a gente conseguir, principalmente, hoje, com o digital. Os singles estão sendo muito bem recebidos, tanto pelas plataformas. Estamos dando um novo passo na carreira com essa nova fase que estamos estruturando com esse primeiro álbum. Então, assim, as coisas estão caminhando e depois do álbum, a gente quer muito colocar o nosso show autoral na rua, com banda, ir para outras cidades também, a gente é aqui de São Paulo, mas queremos tocar e colocar essas músicas para a galera ouvir mesmo.

Gabriel: E eu acho que essa recepção das pessoas, pelo menos para esses primeiros lançamentos, que a gente fez do álbum, tem sido muito legais. As pessoas têm falado coisas que a gente tem gostado muito de ouvir, porque no momento da concepção dessas músicas, a gente tava muito livre pra pesquisar, pra investigar diversos estilos musicais e diversas influências. Então, a gente permitiu que a nossa criatividade desse uma flutuada. Em termos de recepção das pessoas e até o que a gente achou das músicas que a gente foi compondo, sentimos uma maturidade muito grande, muito maior. E o que as pessoas têm trazido pra gente é exatamente isso, tem sentido um som maduro, um som que se permite pesquisar, se permite ir a vários lugares, gêneros musicais. Isso tem deixado a gente muito feliz, porque é o que a gente sentiu.

Carol: Muita gente, amigos, amigos de amigos, gente que conhecemos pela internet, mandando mensagens muito positivas sobre as músicas. Gente que conhecia já o Avenoar do primeiro EP e falou, ‘olha, eu amo o primeiro EP, mas agora, realmente, as músicas tão mais maduras, acho que vocês encontraram um lugar muito bacana nessa nova fase de vocês’. Nós reestruturamos também a nossa identidade visual, o novo logo, tiramos novas fotos. Então, realmente a resposta do público foi bastante positiva e isso se converteu pras plataformas digitais também. Então, a gente acaba ficando muito otimista pro lançamento do álbum também. 

Ouça Avenoar:

Sobre o autor

Luisa Pereira

Jornalista, escritora, editora-chefe e criadora do Lindie. Apaixonada por palavras, sempre estive acompanhada de um bloquinho de anotações. Espero um dia conseguir tocar as pessoas do mesmo modo que a Agatha Christie e o Tom Fletcher fazem com suas obras.

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