Rafael Martins estreia projeto solo com Barco no Seu Mar

O produtor musical Rafael Martins faz sua estreia solo com o lançamento do single Barco no Seu Mar. Vocalista e guitarrista da banda Selvagens à Procura de Lei, o artista condensa suas vivências durante a pandemia e o isolamento social em seu primeiro disco.

A faixa é uma mescla de folk, puxada pelo violão, e MPB. Com uma letra sobre amor, companheirismo e confiança, Rafael faz um dueto com Marina Brasil, sua noiva. “Ficou muito lindo”, adiantou ele em entrevista. O single chega ao mundo junto com um clipe.

Gravado em seu home studio em Fortaleza e no Estúdio El Rocha, em São Paulo, o projeto teve apoio do produtor musical Paul Ralphes. Barco no Seu Mar fará parte de seu primeiro álbum em projeto solo, que contará com 11 faixas autorais, sendo 9 delas criadas durante a pandemia. A ideia de Rafael é fazer um lançamento por mês - em abril, maio e junho - antes da divulgação do disco na íntegra.

Leia a entrevista com Rafael Martins:

Lindie: Como foi a experiência inicial da carreira solo?

Rafael: A pandemia travou tudo e vieram as pausas nos shows. A gente (em referência a banda Selvagens à Procura de Lei) tinha acabado de lançar um disco e o show de lançamento desse álbum acho que foi no dia 6 de março de 2020 e dez dias depois a pandemia chegou no Brasil. Nisso, eu voltei para Fortaleza, minha cidade natal, levei só o violão, computador e minha interface para passar a pandemia e produzir alguma coisa. Mas eu não esperava que eu fosse produzir um disco, nunca tinha pensado que eu fosse ter uma carreira solo, por mais que eu fosse bem produtivo, muitas das músicas da banda, até algumas mais famosas, são composições minhas, eu sempre gostei de estar na ativa.

Bom, eu fui escrevendo, fazendo música e as letras foram surgindo, eu fui produzindo em casa mesmo e subindo em uma conta privada no Soundcloud. Isso já era maio e eu comecei a visualizar que os shows não voltariam tão cedo, o momento era de muita incerteza para uma banda que vive de fazer show e tinha acabado de lançar um álbum. Então eu pensei "caramba, acho que vou gravar essas músicas”, e comecei a passar para frente, mostrei para algumas pessoas próximas e elas me encorajaram a fazer. Fiz a parte inicial em Fortaleza e finalizei no estúdio em São Paulo. Passei o segundo semestre inteiro terminando, voltei pra SP para mixar, depois cuidei da masterização e enquanto isso estava fazendo fotos e clipe. Tudo isso com uma galera que eu sou amigo há muitos anos, muito por conta da banda. E é isso, essa história que eu tô contando agora começou há um ano e eu estava esperando o momento certo pra mim, na verdade, para lançar, já adiei umas três vezes para criar coragem e por acreditar que seria a data ideal.

Lindie: Como você define esse Barco no Seu Mar?

Rafael: O disco inteiro está muito dentro do universo do folk porque o período em que eu fiz as músicas estava escutando muito Simon & Garfunkel e James Taylor, que é essa galera folk anos 60,70 e também, como sempre, estava ouvindo bastante música brasileira, mas mais essas com mais voz e violão. Particularmente, acho que Barco no Seu Mar tem uma pegada mais folk que é puxada pela batida do violão, mas também acredito que tenha uma levada de MPB, principalmente na letra.

A letra fala um pouco sobre como eu estava me sentindo naquele período, do primeiro lockdown ainda, era muita loucura eu ter voltado para a minha cidade natal por conta de uma pandemia e ainda precisar ficar dentro do meu quarto. Foi nesse contexto que eu a escrevi. Um dia eu vi um avião passando e pensava no quanto eu queria estar viajando. Eu falo isso em um trecho da letra “um avião passou por mim...” e em outra parte que é "você vai ver, seu cabelo vai crescer…” e a gente vai perdendo a noção do tempo, os dias vão passando e nem dá para perceber (enquanto a pandemia dura). Então a letra é muito voltada para esse sentimento de angústia, escapismo e no refrão tem um pedido de socorro, de amor, de companheirismo “é preciso tanto que ainda acredite em mim, eu sou um barco no seu mar / e se algum dia a âncora partir, não espera tanto eu voltar”. Quer dizer, se algum dia alguma coisa acontecer comigo, por favor, siga em frente, não espere que alguma coisa diferente aconteça, porque foi isso mesmo que aconteceu.

Foi muito legal quando eu mostrei essa música para uma amiga que estava com a mãe internada e ela escutou e se emocionou muito. Eu fiquei sem entender no início porque pra mim era uma letra que falava um pouco mais de um amor de casal. Mas depois que eu vi a reação dela, a música ganhou um novo significado para mim, que é justamente para as pessoas que estão passando por esse problema com parentes hospitalizados ou até de perdas. É um momento que a gente precisa valorizar as pessoas próximas, contar com alguém e ter companheirismo. A música não fala apenas de um amor de casal, mas de um elo de confiança. 

Lindie: Você falou que, no início, essa música passava mais a ideia de um amor entre um casal. Como foi a parceria com a Marina Brasil e como ela fluiu na concepção do single?

Rafael: Quando eu estava compondo, ela estava do meu lado e ela começou a cantarolar junto comigo. Quando a gente cantava junto dava uma sensação muito boa de que as vozes se encontravam. A gente sempre curtiu músicas juntos, cantamos juntos, ela canta muito fácil, passa o dia cantarolando. Foi muito natural, não foi nada planejado e aconteceu. Nisso, eu resolvi abrir mais uma porta na minha carreira musical e botei ela para cantar junto comigo. Eu acho que fortalece ainda mais a mensagem da música porque eu escrevi sobre nós dois, então nada melhor do que ela cantando também. Claro que se não ficasse bom, eu não teria gravado essa versão, mas ficou muito lindo. É isso, é a estreia da Marina profissionalmente.

Lindie: Qual sua expectativa para o lançamento?

Rafael: Eu estou bem ansioso, é uma coisa inédita para mim, nunca imaginei que eu faria algo do tipo, ainda mais nesse momento. Eu estou tentando me conter com o feedback do Instagram e das redes sociais, já teve gente que gravou cover só pelos teasers. Eu estou bem ansioso, torcendo para dar tudo certo.

Lindie:  Há datas para o lançamento dos próximos singles ou do álbum?

Rafael: O plano é fazer o lançamento de um single por mês. Barco no Seu Mar agora; no final de maio, outro; e no final de junho mais um com o disco inteiro. Cada single terá um clipe. Como eu fiz tudo antes e o clipe do próximo single já está bem encaminhado, acho que estou com um tempo bom para planejar tudo e lançar nesse intervalo de tempo porque é bom para manter o público aquecido. Pela minha experiência com a banda, não é bom demorar muito entre os lançamentos dos singles. Eu quero que dê tudo certo. 

Lindie: O que o público pode esperar desse álbum, ele conta uma história?

Rafael: Ele conta um pouco, sim porque foram músicas feitas na quarentena e, querendo ou não, a história delas estão todas ligadas. Eu tentei fazer uma ordem das músicas que remetesse a esse storytelling e quem já ouviu o disco sentiu isso sem que eu precisasse falar. Eu cuidei muito das músicas. Como quem produziu fui eu, acabei colocando muito a minha visão como compositor na produção das músicas, não tinha alguém de fora para falar o que mudar e tal. Foi uma opção minha cuidar de tudo, gravei 90% dos instrumentos porque eu queria passar o disco como se fosse um filme, que conta uma história, principalmente a minha. O disco tem muito a ver, não só com o momento, mas com a minha volta para Fortaleza. Muita coisa bateu, muitos sentimentos, eu estava há 7 anos em São Paulo, então o clima diferente, as paisagens, o jeito das pessoas falarem, o cheiro...tudo. Todas essas coisas estão no disco, assim como São Paulo também porque não tem como desvincular, a cidade está dentro de mim, eu tenho muitos amigos por lá e foi onde eu gravei o álbum. Acho que conta uma história sim.

Ouça Barco no Seu Mar:

Sobre o autor

Luisa Pereira

Jornalista, escritora, editora-chefe e criadora do Lindie. Apaixonada por palavras, sempre estive acompanhada de um bloquinho de anotações. Espero um dia conseguir tocar as pessoas do mesmo modo que a Agatha Christie e o Tom Fletcher fazem com suas obras.

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