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Banda VENVS, com a mesma roupa do clipe de Me Reencontrar. Atrás, luzes roxas e verdes ambientam o espaço

Publicado porLuisa Pereira

em 04/09/2021

Às vezes, algumas coisas simplesmente parecem se encaixar perfeitamente em alguém, fazendo tudo fluir de uma forma única para essas pessoas. É esse o sentimento que transborda ao ouvir a nova música da, agora banda VENVS, “Me Reencontrar”, com a guitarra, bateria e as vozes femininas no vocal. Com um som voltado ao emo e pop punk, Evie Dee e Elektra, casal que lidera os vocais, que antes formavam um duo, e agora se juntam a Jota C (Bateria) e Luk (Guitarra).

Grande conhecido de Elektra, ex-integrante da banda Fake Number, o estilo é parte de quem ela é, apesar de começar a explorar novos gêneros nos últimos anos, especialmente no duo VENVS, que levava uma sonoridade voltada para a MPB. "É muito incrível, é um estilo em que eu me sinto muito confortável, eu cresci fazendo isso. O Fake Number foi montado quando eu tinha 15 anos e durou dez anos, então eu tô realmente na minha na minha área. Gosto muito de cantar o outro estilo de música, gosto muito da minha voz nesse outro estilo, mas eu tô muito feliz em voltar a cantar rock e emo porque é diferente, sabe? A vibe é diferente, tanto cantando [em estúdio], quanto em show”, conta ela em entrevista ao Lindie. “Com esse estilo mais lento, voz e violão, apesar de gostar muito, pra mim sempre faltou algo. E o que faltou era a banda”, completa.

Mesmo que pareça uma mudança brusca ao ler sobre isso, ao ouvir com cuidado as músicas antigas e o novo single, percebe-se, sutilmente, elementos que se complementam. Isso acontece porque, antes de decidir mudar de vez, as artistas estavam “tendendo há um tempo, querendo ir por esse caminho um pouco mais alternativo”, segundo Evie. Para testar, o duo produziu algumas músicas do duo deste modo. "Nós fizemos uns testes em algumas das nossas músicas no outro estilo mesmo, mas com uma pegada um pouco mais alternativa, porque é o gênero  musical que amamos ouvir, é o estilo que faz mais sentido pra gente nesse momento, que está mais presente na nossa vida”, afirma ela.

Após a mudança musical, a estética veio naturalmente. Adepta aos fios coloridos, Evie saiu do amarelo para o verde e pôde deixar o clipe de Me Reencontrar ainda mais literal e transparente, “matando” uma era para que outra pudesse ascender. Assim como Elektra, ela cresceu ouvindo esse tipo de música e vivendo a cena dos anos 2000.

“Maquiagem, cabelo, essas coisas assim sempre esteve muito presente. Com os meus 15, 16 anos eu só me vestia assim, eu só usava esse tipo de maquiagem, então pra mim foi também me reencontrar de alguma forma. Eu também me voltei para as minhas raízes, de toda essa essa coisa visual mesmo e como eu me apresentava pro mundo e eu acho que a gente levou as duas coisas ao mesmo tempo”, explica Evie. “Ficou essa coisa emo gótica”, finaliza.

O reencontro

As duas artistas têm um passado com fortes vivências no cenário do emo, rock e pop punk, especialmente em meio à suas adolescências. Assim, há um conceito muito marcante em se reencontrar com o estilo. Tanto Evie, quanto Elektra, conseguiram voltar às origens em grande estilo, contemplando essa mudança em Me Reencontrar. “Essa música foi meio que um desabafo de se reencontrar fazendo esse tipo de som de novo e se reencontrar com aqueles sentimentos e com com tudo”, diz Elektra. “Me Reencontrar é muito autoexplicativa já então quem escuta música percebe que realmente é algo de voltar a ser uma coisa que estava ali no escuro, escondida e que agora precisa sair, se libertar”, completa.

A nova formação

Criado durante a pandemia, a nova fase do duo só foi possível após a mudança na formação. Enquanto o duo saiu de cena, a banda entrou no palco. Agora, além das vocalistas, Jota C (Bateria) e Luk (Guitarra) completam o time da VENVS. Velhos conhecidos de Elektra, os músicos foram convidados para o time. “Eles são, além de músicos incríveis, eles são muito legais também, então eu achei que faria total sentido”, relembra ela.

A banda, agora, se prepara para uma nova fase e começa a produzir um EP, que deve sair ainda em 2021. “Está perto, estamos ainda produzindo, estamos bem no começo ainda, mas a previsão é lançar esse ano mesmo”, adianta Evie.

A ascensão do emo

Desde 2019, a cena vem ressurgindo no mid e mainstream, especialmente nos Estados Unidos, com discos como Tickets to my Downfall, de Machine Gun Kelly, o retorno de Avril Lavigne, entre outros nomes. Por lá, Travis Barker - baterista do Blink-182 e produtor musical - tem sido fundamental para esse “retorno” do gênero. No Brasil, o uso dos elementos desse estilo também tem crescido, principalmente durante a pandemia.   

“Acho que assim como a gente meio que todo mundo teve o estalo no mesmo momento. É um estilo que, querendo ou não, combina mais com tudo que a gente tá passando. Um estilo em que a gente consegue extravasar mais, vamos dizer assim, né? Falamos sobre dor, sobre raiva, sobre tudo quanto é sentimento de uma forma mais intensa. Está todo mundo realmente precisando disso. Acredito que meio que no subconsciente coletivo começou a ser algo que as pessoas consumiam mais, ouviam mais e por isso elas acabam levando pro trabalho delas enquanto artistas. Então, eu tô achando super incrível, nossa, acho que tá aparecendo muitos artistas incríveis todos os dias”, conta Evie.

Representatividade na cena

Para além de tudo o que o VENVS está representando à musicalidade do emo, rock e pop punk brasileiros, a dupla de vocalistas também carrega a representatividade LGBTQIA+ para fortalecer a diversidade no meio. “Estamos aqui tanto como mulheres, quanto mulheres lésbicas e é de extrema importância e que sempre vai deixar muito claro nossa bandeira. Ia ser muito importante eu ter visto vocalistas que se diziam abertamente lésbicas na infância e adolescência. Bandas e artistas que falassem sobre isso, que cantassem sobre isso. Então faz a mensagem se expandir mais e ficar mais natural”, diz Evie.

Outro ponto é a atualização do cenário musical como um todo, com mais mulheres no topo dos charts e inseridas em bandas de diferentes gêneros. “A música no geral é machista, então rola um pouco a dificuldade em você ser uma mulher com uma banda. Na minha época, sofri alguns preconceitos mas não tão grandes assim, acho que eu sabia me impor da maneira que eu precisava, da maneira que eu me defenderia ali. Mas eu acho que o rock e o emo, hoje em dia, eles tão entendendo melhor essa representatividade, estão apoiando mais essa representatividade. Quando eu comecei a cantar, existia, praticamente, eu e mais uma banda só com com mulher no vocal. Então, hoje em dia, se você for parar pra ver a lista dos maiores artistas brasileiros, a maioria é mulher. Assim, não não tem como, os caras vão ter que respeitar porque a gente tá chegando aí com o pé na porta mesmo, sabe?”, resume Elektra.

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