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Bemti aparece do ombro para cima, sem camisa e com folhagens ao redor. A parede, ao fundo, é amarela. Ele olha para o lado.
Bemti vai de encontro ao inexplorado em “Logo Ali”, seu segundo álbum
Entrevistas

Publicado porLuisa Pereira

em 14/02/2022

O cantor e compositor Bemti deixou a imaginação fluir em seu novo disco, “Logo Ali”. Ao longo das 12 faixas, o letrista reflete sobre amar em meio a incertezas e inseguranças e convida uma extensa lista de músicos para participar, como Fernanda Takai, cantora indicada ao Grammy Latino 2021, que integra a faixa Quando o Sol Sumir, já lançada como single. Outras colaborações que aparecem no trabalho são Jaloo, da baiana Josyara, do artista português Murais, membro da banda portuguesa Linda Martini, e do duo paulistano ÀVUÀ.

O disco se divide em dois atos: o primeiro, mais diurno, afetivo e pré-apocalíptico, enquanto o segundo é mais noturno, solitário e cataclísmico.

Entre as referências de Bemti para a criação do álbum, nomes diversos surgem em cena, como Milton Nascimento, Bon Iver, Arcade Fire, Baleia, Phoebe Bridgers, Tulipa Ruiz, Moses Sumney, Joni Mitchell, Björk.

Em entrevista ao Lindie, Bemti conta sobre os processos de produção, além da escolha dos artistas convidados. 

Lindie: Como foi a recepção desse álbum pelos seus fãs?

Bemti: Está tudo meio efêmero. Mas a primeira recepção foi muito positiva, eu estava com uma expectativa muito grande de lançar porque foi um disco que teve um trabalho muito intenso durante esse último um ano e meio. É um disco com uma sonoridade muito complexa, cheio de camadas, as letras foram muito trabalhadas, tem muitas participações em lugares muito específicos, tanto voz, produção, composição, então eu estava ansioso para ver como as pessoas iam sacar,  recebendo tudo isso assim de uma vez. Claro que tinha já os [singles] que tinham saído. O feedback que eu tô tendo dos fãs tá muito positivo, a galera pirando, falando que tá escutando várias vezes em loop. O disco tem essa brincadeira da última música meio que se transformando aos poucos na primeira, então se deixar no no Spotify você meio que tem a sensação de algo infinito. 

Lindie: Quais as diferenças de fazer um disco com o apoio da Natura Musical? 

Bemti: O era dois, de 2018,  foi pago do meu bolso. A diferença é total porque você tem um custo para realmente conseguir executar as coisas que você quer. O meu primeiro disco é um material de baixíssimo orçamento, então eu tenho muito orgulho do que a gente conseguiu, eu e o [Luis] Calil, que é o produtor. Esse novo disco, mesmo antes da Natura Musical, eu queria que ele tivesse uma sonoridade bem maior, bem mais épica. Quando rolou o Natura Musical eu falei ‘nossa, é agora’. Nele, eu realmente consegui agregar tanto em tempo de estúdio, em quantidades de músicos chamados, em quais músicos poder chamar, pagar os artistas. A gente está em um país que deliberadamente odeia a arte, odeia artistas e as pessoas não têm consciência do trabalho que dá, do tempo que leva e do quanto as pessoas precisam ser pagas pra fazer as coisas. Então a diferença do Logo ali é essa. Eu com certeza não teria tido condição nem financeira, nem emocional pra fazer um disco de trabalho, um projeto desse tamanho, se não fosse por esse suporte.

Lindie: No disco tem participações em várias camadas, seja na voz, instrumentos ou produção. Demorou para alcançar esses profissionais que você selecionou?

Bemti: Não. Esse foi um quebra-cabeça construído aos poucos. Quem escutar o disco completo no YouTube verá o encarte virtual e terá uma noção muito detalhada do tamanho do quebra-cabeça que é o disco. Acho que tem dois pontos, tem um ponto que vem disso, que é um tamanho de sonoridade que eu queria alcançar e eu gosto muito dos resultados de encontro de diferentes universos artísticos. Sou muito defensor daquela participação que realmente faz sentido e que é um ponto de encontro dos dois artistas. E então cada pessoa que está ali está por conta de um motivo muito específico e não tem ninguém sobrando, não tem ninguém que foi chamado à toa. E foi muito pelas demandas também. teve gente que chamamos e que não rolou e teve gente que superou as expectativas. O [Marcelo] Jeneci que eu chamei só pra tocar sanfona na música Livramento e ele se empolgou tanto que acabou virando produtor da faixa. Então esse tipo de coisa não dá pra prever, esse tipo de coisa vai acontecendo, isso é muito bonito do encontro artístico. E aí tem o outro lado que é por ter sido um disco gravado na pandemia, a maioria desses processos foram feitos à distância. Então eu acho muito bonito o disco existir assim nesse lugar que parece que é um lugar metafísico, onde esses encontros estão acontecendo de verdade e onde essa celebração coletiva está acontecendo, o disco é meio que esse lugar que não existe fisicamente, mas que está todo mundo ali junto. Espero que nos próximos meses a gente possa repetir essas parcerias, enfim, em palco, em diferentes lugares. 

Lindie: Vocês fizeram parceria também nas composições? 

Bemti: As músicas são todas minhas ou minhas em parceria com alguém. E aí tem, por exemplo, a condição de Quando o Sol Sumir, que é uma música com participação da Fernanda Takai, mas é uma parceria minha com a Roberta Campos. Tem a composição com Pedro Altério, que é produtor do disco, tem com a Nina Oliveira, tem com o Murais que é o artista português que participa do disco também, onde ele compôs a parte que ele canta. E aí que tem o Cauê Lemes que fez a pré-produção também, ele assina harmonia de algumas músicas.

Lindie: E pra terminar, quais foram as suas favoritas desse álbum? 

Bemti: Poxa, muda sempre. Acho que eu tenho muito orgulho de Canto Cerrado. É um tipo de música que eu sempre quis fazer na vida. Eu fico muito feliz que esse tipo de música exista assim, porque pra mim faz referência a um monte de coisa que eu amo, como Milton Nascimento e Boniver. Acho que eu consegui chegar ali. Acho que é uma abertura muito bonita pro disco.

Lançado em setembro de 2021, Logo ali é um campo aberto cheio de experimentações musicais e uniões que naturalmente se completam. 

Bemti fará um show acústico no Teatro Eva Herz - que reabre após dois anos e recebe o mineiro como única atração musical, para apresentar o recente trabalho, em comemoração ao centenário da Semana de Arte Moderna de 1922. A apresentação terá a participação especial do artista paulistano Pélico e acontecerá em 18 de fevereiro.

Serviço completo:

Data: 18 de fevereiro (sexta-feira)

Local: Teatro Eva Herz

Endereço: Av. Paulista, 2073 - Cerqueira César, São Paulo - SP

Horário: Início do show:  20h

Valores: R$ 50 reais (inteira) | R$ 25 meia-entrada | R$ 35 (Vivo Valoriza) | R$ 35 (+Cultura)

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