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Banda LAVOLTA
LAVOLTA apresenta seu novo álbum “Sinto Muito”, com sonoridade mais acessível
Entrevistas

Publicado porLeonardo Rodrigues

em 16/12/2021

Em entrevista ao Lindie, a banda LAVOLTA contou um pouco mais sobre seu novo projeto Sinto Muito, álbum com a sonoridade reformulada para ser mais acessível, letras carregadas de sentimentos, participações especiais, produções e muito mais. O processo de criação do disco deixa evidente o amadurecimento da banda, que trouxe junto a ele a profissionalização do grupo, e também abriu a mente para novos experimentos, como trabalhar com vários produtores, feats, entre outros.

O segundo álbum

Lançado dia 9 de dezembro, o álbum Sinto Muito, da banda paulista LAVOLTA, finalmente está disponível nas plataformas de streaming. O disco conta com músicas já lançadas previamente e parcerias. A experimentação de uma sonoridade mais popular é um dos diferenciais do segundo disco, como conta Neira Galvez, compositor, em entrevista ao Lindie.

 “Se você for ver, nosso primeiro disco é de 2016, e só esse ano (2021) que iremos lançar o segundo. O nosso primeiro disco é muito “cabeça”, sabe? É até um pouco progressivo, se você escutar ele inteiro vai ver que as músicas se ligam uma à outra, as letras são um pouco herméticas, tem umas palavras difíceis, e a gente gosta disso, não tem jeito. Mas a gente queria muito ter uma sonoridade mais acessível, porque a gente gosta de coisas pop. E uma coisa se juntou a outra, a vontade de ter um som mais acessível, tentar dizer mais com menos palavras, coisas que as pessoas se identificassem mais.”, explicou Neira.

Conceito do disco

Histórias pessoais, medos, mágoas, percepções e outros sentimentos resgatados do fundo do coração da banda estão claramente presentes no projeto SINTO MUITO, e como o próprio nome diz, sentir demais é o conceito do disco da LAVOLTA.

 “Começamos a pensar no projeto em 2018.”, contou o baterista Enzo, “Basicamente, olhando pra trás pro nosso álbum anterior, o SUBLIMAR, pensamos como a gente poderia fazer de uma forma mais eficiente, que alcançasse mais pessoas, a gente começou a imaginar de que forma atingir esses objetivos. Pensamos em letras que as pessoas conseguissem se identificar mais, em ter mais frases de efeito, a gente pensou em trabalhar com pessoas diferentes, tanto com participações quanto produções, pensamos em trabalhar todas as músicas como single, então em 2018 que começamos com essa ideia por trás do álbum e de como estruturar ele.”, explicou Enzo sobre o processo criativo do álbum.

Neira Galvez também comentou sua visão a respeito das letras do disco, todas repletas de histórias, como se fosse uma regra a veracidade das letras no álbum: “Não teve um conceito fechadinho igual o outro álbum que a gente fez, as músicas foram feitas de maneira mais livre, cada uma separada. O que a gente tinha era esse nome desde o começo, “SINTO MUITO”. Então acho que eu e o Lorenzo (vocalista), pra escrever, a gente só buscou falar de coisas que fossem pessoais, acho que essa era a regra dessa vez, falar mais coisas que realmente aconteceram com a gente, e que dissessem respeito de alguma forma à essa expressão. Então pedidos de desculpa, coisas que você se arrepende, ou perdas, pessoas que vão embora, medos, coisas que dizem respeito a sentimentos, melancolias.”

Apadrinhamento da banda SCALENE

Neira contou também sobre o quão importante a banda Scalene foi no crescimento da LAVOLTA, e que os irmãos Gustavo Bertoni (vocalista) e Tomás Bertoni (guitarrista) foram responsáveis por muitas dicas profissionais à banda.

“Temos uma grande ajuda dos irmãos Bertoni, da Scalene. A Scalene em si foi a primeira e uma das únicas bandas que deram uma moral pra gente na época que lançamos o primeiro disco, eles divulgaram no Facebook deles e foi muito legal, e desde então a gente tem contato com eles, principalmente com o João e o Gustavo.”, revelou Neira. 

O compositor também nos contou sobre algumas dicas dos integrantes da Scalene, como por exemplo maneiras de soar mais acessível e estratégias para manter sua personalidade enquanto faz música. “...e então quando estávamos com essa vontade de fazer as músicas novas, eles nos ajudaram bastante. Saímos pra jantar com eles e eles nos deram muitos tópicos e dicas de mercado. A coisa dos feats era uma coisa que nem passava pela nossa cabeça, e eles deram esse toque, que além de ser legal, te conecta com outras pessoas e pode te ajudar a chegar a mais pessoas.”, contou Neira. E foi nesse bate-papo que veio a sugestão que trabalhassem com Lucas Silveira, na produção do álbum.

Participações especiais

A ajuda de quem entende do assunto é sempre bem-vinda quando o intuito é produzir de maneira mais profissional, e para isso, a banda LAVOLTA recebe o auxílio de Lucas Silveira, vocalista da banda Fresno, na produção de duas das faixas do disco. “Foram duas músicas que a gente fez com o Lucas. “Há Quanto Tempo (Samba Triste)”, que tem a participação da 1LUM3, e “Abismo É Pra Quem Tem Asas”, que foi a primeira que a gente lançou do projeto.”, relatou Neira Galvez, ao ser questionado a respeito da experiência de trabalhar com Lucas Silveira, e ainda completa e contempla a genialidade de Lucas: “Deu pra ver que o Lucas é diferente mesmo, ele é muito acelerado, muito prático. E ele realmente é meio gênio, pois ele recebeu as demos dias antes e ficou ouvindo, e quando chegamos lá ele já tinha as ideias dele, e ele vai te coordenando com muita facilidade.”

Neira afirma ser bastante prazeroso trabalhar com o vocalista da Fresno, “Ele é muito rápido! Ele tem um teclado musical, e lá ele vai caçando no software uns samples e discutindo com a gente sobre referências, como alguma música do Bring Me The Horizon, Fever 333 e Glória, por exemplo”. “Lucas mergulha de cabeça no que está fazendo, ele quase não mexeu na música, ele gostou bastante da canção em si, mas ele mexeu bastante nos arranjos”, afirma Neira, contente com o resultado das faixas e de sua experiência com o produtor. “É muito impressionante, os resultados que iam chegando eram bem profissionais, como sonhávamos, soar como as bandas que a gente gosta de ouvir”, completa. O pedido da banda de “soar como o que gostavam de ouvir” ficou bem claro e foi atendido com excelência por Lucas, ao se inspirar na sonoridade de Bring Me The Horizon para produzir as duas faixas.

Além da produção das faixas, Lucas Silveira deixou para a banda uma série de ensinamentos a respeito de sua vivência no mundo da música: “O mais legal de trabalhar com ele foram as conversas. Nas duas músicas a gente chegou a ficar com ele pessoalmente por umas quatro semanas no total, mas foi muito rico, a gente fala até hoje de coisas que ele falou, histórias que ele contou, e toques que ele deu sobre ter banda, coisas profissionais, fazer as coisas que você gosta e não ficar pensando muito em chegar em determinado lugar...”, comentou Neira Galvez.

Estética do álbum

A identidade visual é importantíssima num disco, principalmente na era da internet, onde o artista precisa (quase que obrigatoriamente) se dedicar a estética geral do seu trabalho, produzir clipes e capas que chamem a atenção, ao invés de materiais que expressem o que o trabalho é, em prol de um alcance de pessoas cada vez maior. Mas esse não é o caso da LAVOLTA, que dedicou esforço e criou um conceito impressionante com humanoides e bastante talento. 

“Essas “capinhas”, que são esses humanoides, são todos de um artista só”, revela Neira a respeito dos bonecos presentes nas capas. “A nossa referência, de novo, foi o Bring Me The Horizon, e quando fomos apresentados à artista que fez as capas, no portfólio dela, já havia essa marca de trabalhar com esses bonecos. E quando vimos, lembramos muito um clipe que tinha saído na época, que era Medicine, se não me engano, e é uma coisa parecida.”

“E era uma época que a gente estava conversando sobre dar conteúdo ao trabalho, dar um conceito, e eu lembro que a ideia que nos foi vendida era de que os bonecos podem passar a ideia de qualquer um que se identificar, e ao mesmo tempo não está bem definido se é um homem ou se é uma mulher, são um pouco apáticas, que era uma coisa que tinha a ver com as primeiras músicas que a gente estava fazendo, um sentimento mais denso, uma coisa mais pesada, e a gente gostou muito.”, completou Neira. ´

É interessante perceber a evolução da estética de trabalhos passados da banda para seu novo trabalho. Quando colocamos as capas de Sinto Muito ao lado de outros trabalhos da banda, podemos perceber a mudança e o cuidado que tiveram com o conceito das artes.

Participações no projeto

Atualmente, as redes sociais são grandes aliadas na construção de laços, sejam eles pessoais ou profissionais. E não podemos negar que as redes são responsáveis por, de alguma maneira, aproximar pessoas com objetivos em comum. E foi a partir de uma famosa rede social que a banda LAVOLTA encontrou as vozes que acrescentaram mais talento ao seu projeto. “Tudo começou por mensagens no Instagram, com pessoas que a gente gostava e pensava que seria legal de trabalhar e que agregaria um som legal, uma participação boa pra música. “Primeiro foi a 1LUM3, enquanto a gente estava gravando com o Lucas, pelo Instagram mesmo. E as outras participações também foram por mensagem, gente que a gente admirava, alguns que faziam parte da cena do ABC Paulista”, explicou Enzo.

Mas, em período de pandemia, um desafio para todos foi continuar a realizar atividades do dia-a-dia ao mesmo tempo em que se isolar do mundo era mais do que necessário para nossa saúde, e não foi diferente para a banda, que devido ao COVID-19 não conseguiu incluir algumas vozes ao seu projeto. “Alguns não rolaram, por conta da pandemia as agendas ficaram confusas e houveram muitos desencontros...”, conta o baterista, “...os outros feats que a gente conseguiu foram por meio do Instagram, apresentando uma ideia inicial, a gente sempre tinha uma demo pra apresentar pra pessoa quando a gente explicava o conceito por trás do álbum, facilitou bastante de trazer gente pro projeto”, completou Enzo, que explica sobre como a banda convidava pessoas para participar das músicas.

Influências gerais no álbum

É complicado apontar uma única influência num álbum como Sinto Muito, pois suas músicas são diversas. Neira diz se inspirar em muitos artistas, não só musicalmente, mas também como uma inspiração de carreira. 

“É bem difícil, trabalhar com vários produtores acabou dando margem pra gente abrir muito a nossa sonoridade. No nosso primeiro trabalho, a sonoridade era bem “fechadinha”, bem concisa, e nesse não é, porque a cada par de músicas, ou até uma sozinha tem um produtor diferente, e até as músicas são um pouco diferentes. Então tem várias influências, mas todas são coisas que a gente gosta, por exemplo, tem o Bring Me The Horizon, que é uma influência geral pra gente, porque a grande parte de nós gosta bastante, é uma banda que nós acompanhamos hoje o que eles estão fazendo agora, vai em show e etc, então eles influenciam a gente de modo geral, não só musicalmente, mas acho que também como “carreira”, como eu falei, o trabalho na quarentena.”, contou Neira

Outras bandas e artistas também foram inspiração da banda ao longo do projeto: “Mas tem outras influências, a banda Alt-J sempre vem à tona como uma influência, o Linkin Park, eu sou muito fã da banda, Blink-182 também principalmente da minha parte e do João também pra fazer coisas de guitarra. E eu acho que é o máximo que dá pra falar, porque as outras são muito “perdidas”, tem uma música que tem bastante influência do Los Hermanos, pois tem naipe de metal. Tem influência do Elton John pra fazer uma música (que é a que mais destoa) que chama 2608, ela veio depois de ver o filme do Elton John, e o arranjo dela foi completamente voltado pra esse tipo de música, balada de piano antiga, sabe?”, revelou Neira sobre algumas faixas do disco.

O baterista Enzo também deu uma breve explicação sobre o processo de inspiração e influências do álbum, “Esse espectro musical que a gente conseguiu pintar nas músicas reflete também o nosso gosto, como o Neira disse, são algumas bandas que permeiam os gostos de todo mundo, mas cada um de nós gosta de uma coisa. Tem uns que são mais do metal, como eu, mas o Neira e o Lorenzo (Vocalista), por exemplo, são super atentos a músicas brasileiras.”, comentou.

Ouça Sinto Muito:

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