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Gabriel Almeida Prado está de frente, com as mãos nos óculos, de chapéu e veste uma blusa vermelha com uma camisa jeans por cima
“Não Aceito Ser Um Só” reúne mais de 30 músicos em apenas um disco
Entrevistas

Publicado porLeonardo Rodrigues

em 23/12/2021

Disponibilizado dia 24 de Setembro, o disco “Não Aceito Ser Um Só”, do cantor e compositor Gabriel De Almeida Prado, é seu segundo e mais recente trabalho. O álbum conta com a presença de mais de 30 músicos, entre eles o percussionista Danilo Moura¸ o cantor pernambucano Siba Veloso e diversos outros artistas que, juntos, exploram as sonoridades brasileiras, criando um som leve e bem feito. 

Em entrevista ao Lindie, o artista Gabriel contou mais detalhes sobre a criação de seu novo disco e nos deu detalhes sobre como foi essa experiência.

Lindie: Como surgiu a ideia desse álbum?

“Eu já tinha lançado meu primeiro trabalho, tinha muita canção na gaveta, e eu gostei muito de ter entrado no estúdio e gravado. E nesse processo de lançar o disco e mostrar pras pessoas, começou a bater uma saudade de estar no estúdio e também uma vontade de tirar essas canções que estavam na gaveta, pra desaguar. E eu me juntei com o músico LIU FERREIRA, que gravou a maioria das cordas dedilhadas do disco, ele tocou baixo, guitarra, viola caipira, coisas que ele nem sabe tocar.", contou Gabriel.

"Recebi uma mensagem no Facebook, da minha prima, que na época nem fazia ideia que eu estava planejando gravar, e na mensagem ela dizia "sonhei que bordava uma camiseta com o nome do seu próximo álbum", e eu falei "nossa, tudo a ver, qual o nome?" e o nome era "Não Aceito Ser Um Só". E acho que esse nome foi ganhando sentido a partir do momento que os passos foram sendo dados para que esse álbum fosse construído, porque essa parceria com o LIU trouxe vários músicos, alguns que já tocavam comigo, e outros que eu nunca tinha tocado, mas que estudaram no Auditório Ibirapuera, não só alunos ou ex-alunos, mas professores também. E esse processo foi juntando as pessoas.", revela o cantor.

Lindie: Foi ao acaso que o disco chegou em 30 músicos, ou você foi os convidando?

“Assumimos a identidade de "Não Aceito Ser Um Só", e fomos chamando cada vez mais gente.", explicou Gabriel, "...foi uma mistura das duas coisas. Quando eu conheci o Pedro Serapicos (produtor musical), no processo de gravar os primeiros testes, a gente foi pensando coisas do tipo "ah, aqui caberia uma participação especial, meio pontual, poderia ter uma percussão do Danilo Moura aqui...", (Danilo também acabou sendo um coprodutor, pela importância de  sua participação nas percussões) e nessa participação ele já pensava "poxa, se ele gravasse naquela outra canção também ia ficar bonito...", e quando vimos ele estava gravando em praticamente todas as canções. E, então, fomos pensando "poxa, com essa percussão caberia um violino..." e o Pedro conhecia um violinista, e o convidou pra gravar o violino, e assim as coisas foram acontecendo.”, disse.

“O que era pra ser voz e violão se tornou algo com uma banda muito maior, foi uma coisa que veio com alegria, e eu fiquei feliz com o resultado, porquê na verdade, a ideia de voz e violão era muito mais por impossibilidade e por acreditar que não seria possível gravar daquela forma sem ter uma parceria da galera.”, completou Gabriel.

Lindie: O termo Cantautor, o que quer dizer?

""Cantautor" na verdade é um termo (pouco usado aqui no Brasil) que significa aquele que cantam canções de sua autoria. Nesse álbum eu me provoquei a ser intérprete das canções de amigos, umas nem tão conhecidas, algumas já gravadas e conhecidas dentro do repertório desses artistas, mas outras que eram até inéditas. Então, pra mim é natural esse lugar de cantautor, se fosse expressado num álbum desse.”, disse.

Lindie: Como você está se sentindo depois desse lançamento?

"É uma bagunça! Eu estou com vontade de mostrar esse trabalho, e acredito muito nele, não só por mim, mas pelo tanto de gente que se dedicou e construiu ele com tanto carinho e acreditou. Muita gente se entregou pra esse trabalho ser feito, então ele não é só meu, ele é construído por várias mãos, de todo tipo de gente. Se ele chegar nas pessoas, elas vão gostar.",  contou Gabriel, em tom de animação.

Lindie: Qual foi o processo de criação da capa do disco?

"A capa foi uma colaboração também. Eu tenho uma parceria, já desde o primeiro álbum, com o Guilherme Kramer, que é um artista plástico incrível, e eu o chamei pra fazer essa capa. Eu fui conversando com ele e dizendo “poxa, eu também queria fazer alguns vídeos, se você pudesse me ajudar...”, então comecei a planejar com ele, tivemos algumas reuniões, e começamos a planejar um vídeo pra cada música. O álbum demorou porque depois que planejei o álbum inteiro, foi ficando tão bom de fazer, as pessoas foram chegando e as coisas aparecendo, que eu fiquei com vontade de fazer um vídeo por músicas, ainda que fosse um Lyric Video, algo mais simples, e ele topou. Agora, todos os vídeos no meu canal do Youtube tem interferência dele, como Dança Da Lua, que é ele mesmo pintando, como Kama Fruta, onde ele pintou alguns melões e algumas frutas, ou até Dúvida Zen, que ele pintou o rosto de um ator, que é meu primo querido, André Melo.", disse o artista.

"Como no primeiro álbum ele tinha feito a capa só com desenho, uma das coisas que conversamos era que eu queria que tivesse uma foto minha, e que aquilo fosse provocado com a arte dele, e esse foi o resultado.", acrescentou Gabriel.

Lindie: Demorou muito a produção dos vídeos? Como vocês planejaram os roteiros de cada vídeo?

"Tudo foi feito com a conversa com o Guilherme Kramer, e depois me encontrei com Luis Manarelli, que é um amigo querido, que topou gravar e editar os vídeos. Também contei com outras pessoas queridas, foi um conjunto de pessoas que participaram.", revelou o cantor.

Lindie: Qual foi o seu critério na escolha das músicas do álbum?

"Na verdade, eu tenho músicas minhas pra gravar por mais uns dois ou três álbuns, músicas já compostas e que eu gosto. E na hora de escolher a gente pensou em outras canções que não são de minha autoria, de amigos e tal.", adiantou o músico.

"Meu primeiro álbum é um álbum de canções brasileiras, mas ele tem muita influência de músicas americanas, por exemplo de Jazz, Blues, e de outros ritmos mais pop. Já o Não Aceito Ser Um Só, queríamos que ele fosse uma coisa mais brasileira. Então flertamos com ritmos além da música pop americana, pop rock, e Jazz. Esse foi o trilho que escolhemos pra decidir quais canções entrariam e quais não."

Lindie: Quais são as influências do disco?

"Meus amigos, que foram com quem eu aprendi a compor, são grandes influências pra mim, mas também tiveram influências de diversos outros lugares. Quando todo mundo chegou e topou participar, eu havia assistido o lançamento do Omindá, que é um álbum do André Abujamra, e o que me provocou mais foi a mistura de coisas que, não necessariamente, parecem misturáveis. Eu gosto muito dessa ideia de arranjo onde você coloca elementos de coisas que, lá no fundo, a gente não espera que combinem, então, o pensamento de arranjos do Abujamra é uma inspiração. A música brasileira também é uma influência, e sempre foi uma inspiração, desde Sérgio Sampaio, passando por Luiz Melodia, Caetano Veloso, até Gilberto Gil. Mas principalmente os amigos e também outros parceiros que participaram do álbum. É um disco com muitas influências, um trabalho muito plural.", explicou Gabriel.

Em resumo, “Não Aceito Ser Um Só” é uma grande colaboração de músicos bastante talentosos, que resolveram dar o melhor de si em um trabalho. Não é fácil explorar tamanha quantidade de estilos musicais tão distintos uns dos outros, e mais difícil ainda é fazer com que todos se encaixem, e Gabriel De Almeida Prado fez isso de maneira espetacular.

Ouça Não aceito ser um só:

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