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O trio Iago, Kelvyn e Iuri, da esquerda para a direita, está lado a lado. Todos estão com os olhos fechados e mantém a cabeça voltadas para cima.

Publicado porLuisa Pereira

em 23/02/2021

O início suave e marcado do último single da Reforme, “Revigorar”, soa como uma surpresa aos ouvintes já acostumados com a sonoridade do grupo. Com uma letra importante e a versatilidade sonora, o trio mostra que consegue transitar em diferentes estilos e produções para apresentar sua mensagem.

Formada por Kelvyn Vinícius (vocal e guitarra), Iago Ismael (baixo) e Iuri Pieluhowski (bateria), a Reforme é natural de Rolante, no Rio Grande do Sul e tem quatro anos na estrada, com presença marcante no cenário musical local. Para 2021, o grupo planeja expandir os horizontes e seguir com lançamentos.

Entre versões oficiais e alternativas, a Reforme possui 14 músicas lançadas, sendo cinco delas parte do primeiro EP do grupo, Muito além do que se vê, de 2017. Em 2020, o trio aproveitou a quarentena para fazer os lançamentos de três singles, Ilusão, Tudo Vai Mudar e Revigorar.

Leia a entrevista do Lindie com a banda:

Lindie: Como a Reforme surgiu?

Kelvyn: Na real a gente já tocava junto há um tempo, sempre gostamos muito de tocar em conjunto e tínhamos o sonho de, um dia, viver disso, tocar nossas músicas e compartilhar com as pessoas. Em 2017, mostrei algumas músicas que já tinha, fomos para o estúdio, mexemos nela e lançamos no mesmo ano. Essa música era a “Por mim nada posso”, nosso primeiro single. Eu digo que ela foi o carro chefe da banda naquele começo. Nós não fazíamos ideia de como ia ser, então jogamos nas plataformas digitais - não digo sem pretensão, porque a gente sempre quis fazer isso da vida e sentíamos que nascemos para isso, para tocar, compor e compartilhar nossa arte com as pessoas - e tivemos respostas legais, algumas pessoas começaram a se identificar. Moramos em uma cidade bem do interior do Rio Grande do Sul, não tem uma cena propriamente dita, que fica mais para Porto Alegre. Foi a partir da internet, nós começamos a receber mensagens de pessoas que se identificaram com o som, com a mensagem e pensamos “massa, é isso mesmo que queremos, vamos continuar porque tá rolando”. Esse gás das pessoas que gostaram do da gente lá no começo foi o que impulsionou o desejo de continuar. Mas a banda surgiu mesmo nesse cenário, lançamos o primeiro single, tivemos uma resposta legal e nós fomos chamados para o primeiro show, segundo show e a galera começou a vim e nós percebemos que era isso mesmo.

Lindie: Como tem funcionado o processo de criação sonora de vocês? Alguém tem mais aptidão para escrever ou fazem juntos?

Kelvyn: As músicas geralmente começam comigo. Eu componho as letras e um arranjo inicial, meio geral do que eu quero e do que eu sinto. Tenho um estúdio em casa, então nós conseguimos nos autoproduzir. Eu faço as prévias aqui, mando essa ideia inicial para o restante da banda, eles ouvem e levamos para ensaio.

Yuri: O Kelvyn traz uma ideia de ritmo e nós vamos trabalhando. As viradas nós criamos quase todos juntos, nos reunimos e vai tirando do papel, nós três juntos é quando rende.

Kelvyn: Isso. Nessa etapa que nós saímos do lugar, o que antes era um início, os meninos começam a compartilhar as ideias deles, já que nós ouvimos sons bem diferentes, apesar de manter uma linha sonora bem parecida. 

Lindie: Quais as influências musicais de vocês?

Kelvyn: Pensando no geral, que pode ser uma influência de topo, a Fresno é uma inspiração não só musical, mas também na forma como eles caminham e como fazem as coisas. A Cefa, Bullet Bane, Bring Me The Horizon, Black Days. Arrisco a dizer que ouvimos mais bandas nacionais do que a galera de fora. Além disso, eu gosto muito das melodias do pop e coisas mais aleatórias que também influenciam no som da banda, mesmo que o nosso produto final seja mais pesado.

Yuri: Cefa, Fresno, Nx Zero. Também escuto bastante a galera do rap e até consigo tirar algumas ideias. Orochi, Cynthia Luz.

Playlist com todas as referências da banda reunidas:

Lindie: Vocês acabaram de lançar “Revigorar”, tem alguma história por trás dessa música que vocês gostariam de compartilhar?

Kelvyn: Não tem bem uma história por trás, mas nós costumamos dizer que é uma música muito especial pelo fato dela carregar muita verdade deste último ano. Falar de 2020 é relativo, complicado, porque cada um viveu sua experiência particular. Nós começamos o ano com uma expectativa alta, pensando “nossa, vamos fazer show com tal banda, vamos tocar em tal lugar” e veio a pandemia e acabou com tudo. Nisso, repensamos e, com o tempo que eu fiquei de quarentena quando estava com o vírus, as composições começaram. Foi nesse momento que nasceu “Tudo vai mudar” e “Revigorar”, que já tinha uma ideia musical traçada, mas a letra surgiu mesmo nesse ponto. Então, comecei a reparar o quão importante era parar também, a gente vive sempre trabalhando, de casa para o trabalho e vice-versa e, por conta desse tempo, refletimos sobre a importância de parar. Em 2020 a gente parou. Às vezes a gente não se toca que parar, respirar e repensar são necessários para entender o que estamos fazendo, se é algo que a gente realmente ama ou se estamos fazendo apenas para agradar os outros. Como esse tema ficou muito forte dentro de nós, acabou refletindo na música, que fala exatamente sobre isso. É especial por conta da mensagem ser forte e acompanhar a gente nesse ponto. Ela é de longe uma das letras que eu mais gosto. A parte instrumental também, as pessoas que ouviram a música antes do lançamento até se assustaram por conta da vibe e da sonoridade diferente. Para nós, ele também é bem especial por casar com a letra e permitir uma reflexão maior do que é dito na música. Foi um som bem trabalhado.

Lindie: Como foi a produção e gravação da música?

Kelvyn: Como eu falei, tenho um estúdio em casa e desde o início da banda, nós sempre quisemos ser independentes e conseguimos fazer nossa própria produção. Eu gravo guitarras, synth, piano, baixo e tudo o que faz parte dos elementos no meu estúdio.

Yuri: Bateria e voz nós gravamos em uma cidade vizinha, então nós vamos e gravamos rapidinho.

Kelvyn: Isso, no estúdio de um amigo nosso. No início da pandemia até deu um problema porque ele não estava abrindo o estúdio e nós tivemos que encontrar outro lugar. Já “Revigorar”, nós gravamos lá mesmo. Mas foi só isso mesmo, todo o restante nós fizemos aqui mesmo.

Lindie: O que vocês planejam para 2021, quais os próximos passos da Reforme?

Yuri: 2021 tudo o que a gente queria era vacina e shows. Mas o que a gente planeja é lançar mais um single ainda no primeiro semestre também com clipe, igual “Revigorar”.

Kelvyn: Vai ter single novo. Estamos preparando muitas músicas para esse ano, estamos pensando em lançar muita coisa. Vai, inclusive, rolar participações. Sempre achamos isso legal, mas nunca pensamos em fazer uma collab, já temos duas em mente. Esse ano vai rolar ainda. Então para 2021 os nossos desejos são: lançar mais coisas e nos unir mais com a galera da cena. Esse último já estamos fazendo e, mesmo com a pandemia, é possível seguir com os trabalhos a distância com o pessoal de outros grupos. E, se der e todo mundo for vacinado, fazer shows.

Ouça Reforme:

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