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Vito Velasso aparece em frame do vídeo Onde as Dores são Afogadas, dentro do mar, com uma rede de pesca nas costas.
Vito Velasso transmite sua intensidade em projeto visualmente musical
Entrevistas

Publicado porLuisa Pereira

em 07/09/2021

Intenso e com ideias que borbulham na cabeça, Vito Velasso conseguiu transmitir toda sua aura à trilogia de videoclipes “O amor é um lindo caminho até a morte”, que narra a história de um relacionamento do início ao fim em forma de minissérie. Cantor, compositor e beatmaker, o artista uniu o indie a elementos eletrônicos e não fugiu dos conceitos ao roteirizar as produções.

Primeiro faixa lançada, Por Engano marca o estágio mais leve de uma relação: seu início. No entanto, aponta os sinais de conflito que aparecerão posteriormente. Com elementos visuais que remetem à calma, tranquilidade e estabilidade, o clipe traça, com uma luz clara, os passos do casal. 

Em Mil Vidas, segunda música, há mais elementos dançantes, com um instrumental marcante. Na parte lírica e visual, no entanto, carrega a mudança de ares do relacionamento. A faixa narra a intensidade dos sentimentos após o final de um namoro, com um misto de solidão e livramento.

Na última canção, Onde as Dores são Afogadas, há o momento de confronto e término, carregando o personagem principal por uma jornada de aceitação. “Eu quis dividir em momentos felizes, momentos durante a relação, momentos de tensão, mais ou menos o meio conturbado do relacionamento, e o momento pós-término. Então a casa clara [frase sobre a luz do clipe] no primeiro, essa casa vermelha no segundo e a casa penumbra no último clipe”, explica Vito em entrevista ao Lindie.

Leia a entrevista completa:

Lindie: Como que você tá depois de finalizar a trilogia “O amor é um lindo caminho até a morte”? 

Vito Velasso: Então é essa trilogia foi pra saber o que seria o processo que eu tinha pensado para o meu álbum todo. Tem uns dois anos que eu comecei essa etapa e foi bem árdua. Ainda teve a pandemia no meio disso tudo. Essa dificuldade é, principalmente, por ser músico independente, mas finalizando isso eu sinto que eu consegui concluir uma etapa bem importante da minha vida. Envolve um lançamento independente de três músicas com três videoclipes e foi algo bem intenso assim. Então eu fico satisfeito por ter finalizado.

Lindie: Como você decidiu fazer um clipe para cada música que se completassem depois?

Vito:  Essas três primeiras músicas fazem parte de um compilado de composições minhas, com 13 no total. Então essas faixas representam muito um um momento que eu vivi, inclusive aí em São Paulo. Quando tive esse primeiro processo de composição desse disco eu já tinha um álbum pronto pra gravar e eu comecei a mudar absurdamente a minha forma de pensar a música. Essas três canções meio que se completam, eu falo muito de amor nas músicas, mas eu falo muito de outras coisas também. Tem muito na minha trajetória de pensar e refletir e ficar sempre me questionando, tentando amadurecer junto com os problemas, as dores, as vitórias e as quedas. Então essas três músicas me chamaram a atenção de alguma forma entre as 13. Essas três músicas são as primeiras e, então, pensei em como relacioná-las para fazerem parte de um disco, já que precisa ter toda essa atmosfera de contar uma história. Não é simplesmente eu falar sobre algo que aconteceu. O disco todo reflete muito o que a minha vida trouxe de aprendizado e de todas as músicas completavam muito, então elas conversavam entre si. Ao invés de eu ter ‘vamos vamos fazer o clipe da música Por Engano que é a primeira e, depois, a gente faz o da Mil Vidas’, eu decidi unir as três e retratar de fato algo que eu tinha vivido com esse relacionamento intenso e esse término tão intenso quanto. Criei esse roteiro, dividi a direção com o Diego, ele é de Minas, da minha cidade e a gente foi pra São Paulo em um projeto maluco de fazer toda a essa série em seis dias. Acho incrível que, apesar do tempo curto, conseguimos retratar o que cada clipe precisava representar e o que os três juntos representam sendo uma história que envolve o início, o fim e, principalmente, o pós término de um relacionamento tão intenso.

Lindie: E como foi escrever o roteiro dos três clipes?

Vito: Sou muito intenso nas coisas, muito mesmo, e eu tento passar isso, tanto pras músicas quanto para minha forma de me colocar no mundo. Então, acho que eu não conseguiria retratar isso de forma intensa, por exemplo, se tentasse colocar tudo isso num clipe só ou em uma música só. Quando eu juntei essas três, comecei a imaginar essa diferença de atmosfera de cada clipe, por isso o primeiro é um pouco mais denso, com muitas nuances. Se a gente for ver o que mais temos nele,  entre eu, o meu personagem e a personagem da Ana, são movimentos que a gente chamou de casa clara, sendo tudo muito claro, tudo o que representa essa atmosfera mais leve da relação. Eu quis dividir em momentos felizes, momentos durante a relação, momentos de tensão, mais ou menos o meio conturbado do relacionamento, e o momento pós-término. Então a casa clara no primeiro, essa casa vermelha no segundo e a casa penumbra no último clipe. Depois, entendi o que que cada música poderia dizer junto com o clipe, o que cada clipe precisaria pra 

retratar essa história.

Lindie: E como foi a sua troca com o pessoal da produção?

Vito: Demais. Eu e o Diego [Barreto] nos conhecemos em Ouro Preto e acabamos não tendo mais contato. Uns dois anos depois eu lembrei que ele fazia vídeos e já tinha dirigido algumas coisas autorais e tal então quando a gente de fato começou a se encontrar pra falar sobre a produção dos clipes e nos conectamos muito pessoalmente e artisticamente. Com isso, foi meio caminho andado pra gente pirar nas produções, tanto que no segundo semestre agora a gente vai lançar mais dois vídeos que, na verdade, são releituras, e um desses vídeos foi feito antes da trilogia e o outro, depois. Sempre priorizamos muito a arte palpável nos nossos vídeos, algo bem sensível, mas muito bom, contudo. Nesse sentido, algo forte, potente, profundo e ao mesmo tempo muito sensível.

Conheci a Ana há uns dois anos e a gente parou de se falar também porque eu fui embora de São Paulo. No meio da pandemia, quando eu voltei a conversar com ela, tivemos esse contato pra fazer os clipes, ela entrou totalmente na ideia. Todo mundo se conectou bem já no primeiro ensaio, assim como todo o restante da equipe, então a gente teve a Camille [Laurent] na luz - responsável por toda a essa estrutura de luz, aquela prisão de luzes do último clipe, aquelas luzes mais específicas do primeiro clipe. 

Lindie: E assim, você falou do disco anteriormente, já tem uma data pra lançar?

Vito: Queria muito conseguir lançar no dia do meu aniversário, que é no fim de outubro, ia ser maravilhoso não só por conta nesse dia, mas também porque eu tenho um lançamento para segundo semestre e ainda teríamos o lançamento de quatro releituras, mas eu tô esperando a autorização das editoras ainda, que são duas releituras do Los Hermanos, uma do Zé Ramalho e uma do Fagner. Eu trouxe bem pra essa atmosfera da música urbana. Assim que eu finalizar essa sequência de lançamentos, venho com o disco completo. O disco já tá pronto, agora só estamos fazendo os retoques de mixagem, depois enviamos para a masterização e finalizamos tudo. 

Após a trilogia, Vito Velasso também lançou o EP quanto até aqui, com seis faixas.

Ouça Vito Velasso:

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